Está generalizada a ideia, junto dos pensadores das grandes empresas e não só, que o sucesso está directamente relacionado com a divisão dos macro objectivos necessários à sua subsistência pelo número de máquinas ao seu dispor e, pela capacidade produtiva de cada uma individualmente. A verdade é que não é exactamente assim… não é, porque as máquinas modernas pensam, sentem, engravidam, riem e choram e, nem sempre estão na sua máxima capacidade para produzir, principalmente depois de descobrirem que afinal, a suculenta e fresca cenoura, não passa de uma ilusão plastificada. Claro que a força está em quem domina o poder, ou seja os iluminados, que imediatamente pensam numa nova forma de pintar a cenoura e, durante mais algum tempo, manter as máquinas entusiasmadas, garantindo o tão almejado sucesso.
Mas será possível atingir esse sucesso sem intimismo? Se, por algum motivo, não é alimentada a proximidade e a confiança entre os dois lados do negócio, dificilmente o sucesso acontece. Exactamente o que se passa, numa relação entre duas pessoas, sejam quais forem os contornos em que o negócio é feito. Claro que o tempo é um factor fundamental, pois sem ele, o intimismo nunca passará de uma utopia! E sem intimismo não haverá sucesso! Daí que seja estranho que os iluminados se preocupem em mudar as máquinas constantemente de um local para o outro, pois se por um lado garantem que não entram “areias nas suas roldanas”, por outro cortam pela raiz a possibilidade de se criar intimismo. E não criando intimismo, logo…
Vamos imaginar uma outra história, num outro contexto, mas firme nos mesmos princípios. Uma mulher e um homem, convictos no desejo de construírem uma relação escrevem as primeiras linhas do seu contrato, baseados na confiança e proximidade, acabando, com o tempo, por se tornarem íntimos. Agora imaginemos que não têm tempo, ou que não consigam confiar um no outro porque preferem jogar pelo seguro e nunca dar o flanco ou, simplesmente, a proximidade era falsa e interesseira. O que acontece a este contrato, a esta relação? Obviamente, o fracasso, ou seja, a antítese do sucesso, comprovada pelos inúmeros contratos que nunca chegam a tornar-se realidade, pois ao não serem oficializados nem testemunhados, não obstante se poupar as despesas iniciais com quintas e festas faustosas, também não garantem a confiança necessária para que o sucesso seja real. Claro que, também é verdade que os custos de um contrato que não chegou a existir, são irrisórios ou inexistentes. Ainda assim, mesmo que o contrato se mantenha válido, oficializado ou não, e não forem alimentadas a confiança e a proximidade, dificilmente poderá vir a ser um sucesso mais se tornando, com o tempo, uma agonia feita de papel mata-borrão. Daqueles que servem para limpar os erros…
Voltemos às empresas, associações e negócios envolventes, visto ser algo bem mais simples de explicar do que relacionamentos humanos, embora até dentro destes gigantes do consumo demasiado habituados a vencer, se utilize com frequência o chavão do intimismo. A diferença entre o sucesso, e a mera tentativa, reside na capacidade de entrosamento dos líderes com as máquinas produtivas, exactamente na proporção que uns conseguem obter resultados e outros não. E que não se faça confusão! As máquinas são as mesmas e, tanto funcionam numa situação de motivação como numa de coacção, embora a projecção dos resultados possa ser mais lenta ou mais rápida, mais sentida ou mais indiferente. Quando os iluminados perceberem que as máquinas não são números, ou melhor, para além de números são também seres humanos, sujeitas a desgaste e desvalorização como qualquer máquina, capazes de ter ideias e conceitos diferentes mas igualmente proveitosos, talvez e, repito, talvez se consiga criar o intimismo fundamental ao sucesso. Enquanto se fizer questão de marcar a distância, separando os cérebros dos iluminados dos braços, pernas e coração das máquinas, o sucesso será só um fracasso!
Naturalmente, a culpa estará sempre sozinha e será sempre dos outros, iluminados ou máquinas, acusando-se mutuamente pela falta de resultados ou pela injustiça das contrapartidas. Um eterno confronto onde ninguém ganha rigorosamente nada, a não ser dar espaço a seguidores do caos e da desordem, sempre prontos a viverem na sombra das máquinas, utilizando-as como armas de batalha. Seja como for e, após infindáveis negociações, a verdade é que nunca conseguem mediar nada, sujeitando-se aos iluminados donos do poder.
Resumindo, chegamos a um impasse! Um impasse que dura desde a revolução industrial e sem fim à vista… simplesmente, porque a confiança nunca se conseguiu impor totalmente. Tanto na vida profissional como pessoal, a verdade é que as máquinas trazem defeitos de fabrico que ao longo da sua vida útil vão provocando avarias, sendo praticamente impossível funcionarem sem falhar… sendo que os iluminados, embora venham embrulhados num papel mais brilhante e colorido são, também eles, máquinas falíveis e perecíveis…
O tempo e os tempos
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Foi aqui, no tempo
Enquanto sorvia o teu silêncio, que
Reclinando a cadeira, somei
Todos os tempos, que vividos
Através da pausa dos sentidos, fizeram
Eclodi...


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